A forma do céu: reflexões sobre a morte
- Manacá Medicinal

- 2 de abr.
- 3 min de leitura

Sem dúvida um dos maiores mistérios da vida é a morte. Talvez o maior medo também. Negar a morte não nos previne de coisa alguma, mas perceber seus sinais nos ajudam a olhar com mais amor este momento e aprender com profundidade a experiência da vida.
Quantas coisas aparecem que nos desvirtuam do que realmente importa, da felicidade verdadeira, e de nos conhecermos, nossos desejos, motivações e sonhos. Tantas ilusões fazem-nos esquecer de tudo isto, da nossa saúde e do corpo, o bem mais precioso que carrega a nossa vida.
E se a vida é realmente só uma passagem, quantos apegos desnecessários, mágoas do passado, ou medos de um futuro incerto, e tudo aquilo que nos impede de ver este momento presente como o único ao nosso alcance para viver de verdade.
Com este texto, convido você a refletir sobre a forma como percebe a si mesmo, sua relação com a própria saúde e os sinais que a vida oferece continuamente — inclusive agora — de que se há vida, há formas de existir. Mesmo quando nada vai bem.
Reflexões sobre a morte: Mas o que é a morte?
Na visão da Medicina Chinesa, onde a acupuntura é uma das práticas de cuidado em saúde, e que teve influência na filosofia chinesa, entende-se a morte como um processo de dispersão de energia. Wang Chong (27–29 d.C. 'EC') comparou esse processo à transformação física da água, sendo o nascimento uma concentração de energia, uma coagulação da matéria e a morte uma dispersão de energia. E fez a seguinte analogia:
Assim como a água se solidifica, a energia se condensa para formar o corpo humano. Quando o gelo derrete, volta a ser água; Nesta visão, ao morrer, o ser humano se transforma em espírito.
E o que acontece depois da morte?
O autor também afirma que, no processo de separação, os elementos mais leves e puros se integram a forma do céu, enquanto os mais densos e turvos, integram-se à terra.
Zhang Zai (1020–1077 d.C 'EC') defendia que a matéria não se destrói, apenas muda de estado. Cada nascimento corresponde a uma nova condensação, e cada morte, a uma nova dispersão — não havendo, portanto, nem ganho no nascer nem perda no morrer.
A dispersão de energia no processo da morte, a desvitalização, é um processo que, quando natural, segue de forma gradual. Ao passar dos anos, vai-se sentindo. Não é a morte se aproximando, é a vida naturalmente seguindo, numa transformação para um novo estado do ser.
E quando a vida dá os sinais? Estamos escutando?
O nosso organismo se autorregula, não precisamos pensar para o coração bater, nem para respirar ou para digerir os alimentos. Quando essa autorregulação muda podemos perceber, na mudança da frequência cardíaca, da pressão arterial, da circulação, da respiração, das dores, cansaço, falta de ar, perda de peso sem motivo, falta de fome, alterações nos padrões de pensamentos e emoções, ou mesmo a sensação de que tem algo errado.
Gostaria de encerrar essas reflexões sobre a morte sem que ela soe triste. Ainda que seja impossível evitar essa realidade, todos nós partiremos e também teremos que nos despedir de quem mais amamos. Será que estamos nos preparando da melhor maneira possível?
Não se trata de viver com medo, mas com consciência, percebendo que cada sinal, por menor que pareça, possa ser um convite a voltar-se para si mesmo. Quando deixamos de viver no automático e despertamos cultivando um olhar mais atento para si. Cuidar da saúde, dos pensamentos, da alimentação, não é evitar a morte, mas é viver com mais significado.
Entendendo que a vida pode ser uma preparação para este desconhecido misterioso podemos colocar os pés na vida com mais firmeza, deixando pra trás o que não importa, e seguindo com aquilo que nos faz sentido.
É assim que trabalhamos por aqui. Todos os dias tentamos ajudar quem nos procura em trilhar seus caminhos com mais firmeza, consciência, e a saúde vai chegando...
— Manacá Medicinal
Lisiê Silva, farmacêutica
Deise Klauck, médica
Especialistas em acupuntura e medicina natural




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