El Niño e a nossa saúde: um checklist para atravessar os próximos meses com mais preparo.
Mais informação, menos improviso: vamos nos preparar juntos. Mas este não é um texto para assustar. É um convite para se preparar e entender a relação do El Niño e a nossa saúde.
O que o clima tem a ver com a nossa saúde? E como podemos nos preparar para os próximos meses?
Pensando em como podemos cuidar melhor uns dos outros diante das notícias sobre o El Niño, a Dra. Deise Klauck preparou este guia com informação e orientações práticas para toda a nossa comunidade, que também serve para todos daqui do sul do Brasil.
A partir do que já sabemos sobre o El Niño e dos impactos que ele pode trazer para a nossa região, reunimos aqui informações e cuidados simples que podem fazer diferença no dia a dia — antes, durante e depois de períodos de chuva intensa.
O El Niño é um fenômeno climático relacionado ao aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico. Ele pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. No Sul do Brasil, uma das consequências esperadas é justamente o aumento das chuvas, especialmente nos próximos meses.
E chuva em excesso pode trazer enchentes, interrupções no fornecimento de energia, comunicação, dificuldades de acesso à água potável, impactos na alimentação e aumento do risco de algumas doenças, como leptospirose, doenças diarreicas e, mais adiante, dengue, chikungunya.
Mas este não é um texto para assustar. É um convite para se preparar e entender a relação do El Niño e a nossa saúde.
A gente não controla o clima, mas somos responsáveis por moldar o ambiente, as atividades humanas estão intimamente ligadas a mudança do clima de forma geral. Individualmente e localmente, podemos cuidar do que está ao nosso alcance.
Podemos olhar para a nossa casa, proteger a água que consumimos, evitar criadouros do mosquito, preservar a floresta, a mata ciliar do rio, pensar em uma rota segura e conversar com quem está perto da gente.
Por isso, preparamos este checklist: para você salvar, compartilhar e, principalmente, colocar em prática e começar agora.
Um checklist de cuidado para os próximos meses

salve o checklist completo:
💧 1. Cuide da água que chega até você
Pode parecer contraditório: em um período de muita chuva, precisamos justamente prestar atenção à água que consumimos.
Enchentes e outros eventos extremos podem comprometer a qualidade da água potável.
[ ] Verifique as condições da sua caixa-d'água. Se possível, adicione um pré-filtro.
[ ] Se possível, tenha um sistema adequado de filtragem para a água de consumo. Como filtro de barro. A vela cerâmica com carvão ativado e prata coloidal é uma ótima opção acessível.
[ ] Tenha uma pequena reserva de água potável para situações de interrupção no abastecimento.
Água em abundância não é necessariamente água segura para beber.
⚡ 2. Pense no que acontece se faltar energia
Chuvas fortes podem vir acompanhadas de interrupções no fornecimento de energia. Um pouco de planejamento faz diferença:
[ ] Tenha lanternas em locais fáceis de encontrar. (Algumas lanternas e luzes de emergência já possuem o recurso de recarga solar).
[ ] Mantenha celulares e baterias externas carregados quando houver previsão de temporais.
[ ] Pense em como conservar alimentos que precisam de refrigeração.
[ ] Se alguém da família depende de equipamentos elétricos ou medicamentos que precisam de condições específicas de armazenamento, tenha um plano alternativo.
A pergunta é simples: “Se faltar luz por algumas horas, o que vamos precisar?”
🏠 3. Olhe para a sua casa com outros olhos
Antes da chuva chegar, vale fazer uma pequena volta pelo terreno e pela casa.
[ ] Confira telhas, calhas e pontos que possam apresentar problemas com chuva ou vento forte.
[ ] Observe se há árvores ou galhos próximos à casa que possam oferecer risco.
[ ] Veja se o terreno precisa de alguma melhoria na drenagem.
[ ] Confira se ralos, calhas e escoamentos estão desobstruídos.
[ ] Se você mora em uma área que costuma alagar, pense antecipadamente em quais lugares da casa são mais seguros.
Não precisa resolver tudo de uma vez. A ideia é identificar os pontos de atenção
🦠 4. Redobre os cuidados depois de alagamentos e enchentes
Aqui no Sul, as enchentes também aumentam a preocupação com doenças como a leptospirose, transmitida pela exposição à água frequentemente associadas à urina de roedores, mas também por animais de criação como bois, cavalos e porcos.
[ ] Evite contato com água de enchente e áreas alagadas.
[ ] Se precisar entrar em áreas atingidas, utilize proteção adequada.
[ ] Depois de uma enchente, não consuma alimentos ou água que possam ter sido contaminados.
[ ] Ao apresentar sintomas após uma exposição de risco, não demore em procurar atendimento de saúde e informe que houve contato com água de enchente.
[ ]Higiene das mãos, água segura e atenção à conservação dos alimentos continuam sendo cuidados fundamentais.
Também podem aumentar os casos de doenças diarreicas quando há problemas de saneamento e contaminação da água e dos alimentos.
🥫 5. Tenha um pequeno plano para o inesperado
Um plano de contingência não precisa ser complicado. É só responder, em família:
Se precisarmos sair de casa rapidamente, para onde vamos?
[ ] Tenha em mente um local seguro para onde sua família possa ir.
[ ] Combine uma rota de saída, especialmente se você mora em uma área sujeita a alagamentos.
[ ] Saiba onde estão documentos importantes.
[ ] Separe ou mantenha acessíveis os medicamentos de uso contínuo e receitas.
[ ] Tenha contatos importantes anotados, caso o celular fique sem bateria.
[ ] Combine um ponto de encontro ou uma forma de comunicação com familiares.
[ ] Ative os alertas da Defesa Civil. Para receber alertas meteorológicos por SMS, envie gratuitamente seu CEP para 40199.
Para quem tem crianças, idosos, pessoas com deficiência ou animais de estimação em casa, vale pensar também nas necessidades específicas de cada um.
🧠 7. Preparar a cabeça é fundamental para saúde mental!
Falar sobre enchentes, temporais e eventos extremos pode dar ansiedade. E tudo bem reconhecer isso. A ansiedade é melhor controlada se você tem um plano mais bem definido.
Mas existe uma diferença entre viver com medo e se preparar para o que pode acontecer.
Quando a gente conversa antes, combina caminhos e sabe o que fazer, diminui a sensação de estar completamente sem controle.
Não precisamos imaginar o pior todos os dias. Podemos apenas transformar algumas perguntas difíceis em decisões práticas:
Onde vou? Quem levo comigo? O que preciso pegar? Quem preciso avisar?**
Ter essas respostas pode fazer muita diferença em um momento de emergência.
Acreditamos que cuidar também é compartilhar informação de qualidade e construir, juntos, uma comunidade mais preparada.
Não precisa fazer tudo de uma vez, escolha um item desta lista, converse com quem mora com você e dê o primeiro passo.
Porque, diante de um clima que muda, a nossa capacidade de cuidar uns dos outros também pode mudar - para melhor.
Cuide de você, de quem amas, das pessoas e do planeta!
Dra. Deise Klauck, Médica
Lisiê Silva, Farmacêutica clínica







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