Aromaterapia na prática clínica: o que é e como utilizamos
- Manacá Medicinal

- 2 de mai.
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Utilizar os aromas das plantas para cuidar da saúde é uma prática muito antiga, que originou-se do envolvimento do ser humano com o ambiente em que vive. Como farmacêutica, gosto de explicar aos pacientes que o cheiro de uma planta é composto por substâncias químicas produzidas pelo primeiro laboratório que existiu, e que iniciou seus primeiros testes há milhares de anos, a Natureza.
Esse laboratório natural e orgânico tem uma razão de ser: cada aroma cumpre uma função na planta e no ambiente, quando entra em relação com o nosso corpo desencadeia respostas, sensações, interações celulares específicas.
O que é aromaterapia?
Por definição, a aromaterapia é o uso terapêutico dos aromas das plantas — seja na forma de óleos essenciais (obtidos pela extração dos compostos aromáticos por técnicas específicas, como a destilação por arraste a vapor), seja no contato direto com folhas, resinas, cascas, raízes, sementes e flores — com a intenção de apoiar o equilíbrio do corpo e dos estados internos.
Mas definir assim ainda é pouco.
Porque, antes de ser uma técnica organizada, a aromaterapia é envolvimento com a natureza. Os aromas tem essa capacidade de sinalizar o ambiente, despertar, acalmar, abrir o peito, às vezes até incomoda e tudo isso faz parte do envolvimento terapeutico. Povos indígenas e comunidades tradicionais já utilizavam os aromas como parte do cuidado, em banhos, defumações, infusões, sempre fazendo relação com o território e com o momento da vida.
Em algumas religiões, os aromas também ocupam um lugar simbólico importante, como o olíbano (boswelia serrata) e a mirra (Commiphora Myrrha), dois dos presentes oferecidos pelos reis magos ao menino Jesus. São resinas de plantas que simbolizam a conexão entre o humano e o divino. Mais do que símbolos, esses aromas sempre estiveram presentes em rituais de cuidado, purificação e passagem.
A fumaça que sobe faz parte de uma forma de compreender o corpo e a vida, matéria e espírito.
Em diferentes culturas, queimar resinas, folhas e madeiras para liberar aromas é uma maneira de interagir com o espaço, o estado emocional e com aquilo que não se vê, com o espiritual e com o energético. Utilizado desde as antigas civilizações - indígena, indiana, chinesa, egípcia, grega e romana. Os aromas são partículas liberadas pelas plantas que estimulam diferentes regiões do cérebro, assim como receptores celulares presentes em muitos tecidos e órgãos. Essas substâncias odoríferas também possuem propriedades cicatrizantes, antibacterianas, antifúngicas e antivirais, dentre outras atividades medicinais.
Prática clínica: como utilizamos?
Na prática hoje, mesmo quando utilizamos óleos essenciais em um contexto clínico, essa dimensão não desaparece, o aroma não atua só no campo físico, mas também no despertar da memória ancestral, nesta percepção ampliada de como habitamos o mundo.
Estudo os aromas das plantas desde 2008. Hoje, são 18 anos principalmente na prática clínica. Fui aromaterapeuta no projeto amanhecer do Hospital Universitário (HU/UFSC) por 3 anos, o que me possibilitou acompanhar de perto a ação dos aromas na vida das pessoas. Ali, nas análises olfativas, nos despertares de memórias de cheiro que vão se acumulando, fui observando e absorvendo como os aromas realmente são transformadores.
Em 2016 criei a Fitoaromaterapia, onde além do atendimento em aromaterapia e do desenvolvimento de fórmulas com óleos essenciais, conduzi cursos voltados à saúde da mulher, gestação, parto, puerpério e infância, um conhecimento não apenas teórico, mas muito prático, como um resgate do conhecimento popular, focado no autocuidado seguro e informado.
Vejo a importância de não perder o real significado dos aromas. Os óleos essenciais, hoje, muitas vezes são levados para um lugar medicalizante, como se fossem solução rápida, desconectada do contexto de vida e da própria relação com a natureza. E aí deixa de ser envolvimento com o ser, para virar produto.
Para mim, trabalhar com aromas é justamente o contrário disto: é manter vínculo, respeito e consciência com a planta, com o corpo e com o mundo.
Pra isto, a prática clínica precisa estar fundamentada no vínculo, na história e na memória olfativa, nas dores, no contexto de vida, para que os aromas deixem de ser medicamentos e virem seres vivos que nos transformam.
Como funciona o acompanhamento em aromaterapia:
O atendimento é individual, com escuta acolhedora da sua história, do seu momento de vida e das suas queixas. A partir disso, utilizo a aromaterapia de forma integrada, com análise olfativa e indicação de óleos essenciais, possíveis formulações personalizadas e orientações de uso seguro, sempre respeitando o seu contexto de vida.
Não se trata de um protocolo pronto, mas de um processo.
Para quem é:
Para quem busca um cuidado mais consciente e quer compreender melhor suas memórias olfativas e usar os óleos essenciais de forma segura e coerente na sua vida: seja para questões físicas, emocionais ou espirituais.
Como funciona o atendimento
O acompanhamento acontece em um ciclo de 4 semanas consecutivas. Com análise olfativa e memórias, de acordo com o objetivo de tratamento de cada pessoa. Em cada encontro, o aroma de uma parte da planta - raízes, tronco, folhas e flores, com duração de 1 hora.
É um processo simples, mas profundo: sentir os aromas, observar o que eles despertam, conversar sobre memórias, corpo, momento de vida.
Convite
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Lisiê Silva, Farmacêutica bioquímica especialista em fitoterapia clínica CRF/SC 12335




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